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HAIGATOS


ENTREVISTA COM MICHÈLE SATO

 

 

Michèle curtindo a Chapada dos Guimarães, fotografada por Izan Petterle

 

 

 

Quem é você, Michèle Sato?

 

Sou paulistana, da gema do Butantã, onde nasci, cresci e aprendi a sonhar. De giro no mundo, desci pra Cuiabá, de onde os pés enraizaram e criaram frutos. Queria ser chão para que as árvores crescessem em mim! Casada, com 2 filhos mestiços [os mais lindos do mundo], sou professora e pesquisadora de educação ambiental na Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], mas também sou colaboradora dos programas de pós-graduação das universidades de São Carlos [UFSCar, SP], Rio Grande [FURG, RS] e também na Espanha, onde deliro em castelos célticos.

 

 

quimera de rua

travessura e tino

brinca o felino

 

(Michèle Sato)

 

Haigatos - Já soube que você tem 2 gatos, certamente os observa muito. Fale um pouco deles.

 

Michèle Sato - Luce Irigaray foi jogada aqui em casa quando muito pequena. Seu nome é em homenagem à grande filósofa feminista e ela, como boa representante da classe dos mamíferos, queria mamar... Vai parecer engraçado, mas ela mama na minha orelha, até os dias atuais [ela tem 5 anos]. Kit é o seu filho, de pelos cinzas e bastante dengoso. Ele não mama na minha orelha, mas come meus vestidos! São dois gatos que encantam minha casa, a cada hora vou descobrindo seus esconderijos e deliciando nos miados destes felinos.

  

Hgs – Na tua percepção, em que a nossa sociedade ocidental evoluiu em relação ao trato com animais domésticos?

 

MS - acho que qualquer sociedade ainda está muito aquém do ideal. Mas na Suíça, os animais da fazenda têm férias! A matéria que eu li dizia que os fazendeiros pagam multa se não cuidarem bem destes animais e, em muitos países, é proibido vender animais. Acho bonito isso, deve ser crime vender VIDA mesmo! É triste ver a venda de animais aqui no Brasil, em casas de pets... Ainda temos muito que aprender.

  

casa vazia

pulos em móveis

miados saudosos

 

(Michèle Sato)

 

Hgs –  Você é professora de filosofia e ecologia, cuida de filhos e tem gatos. Qual é o tempo que te sobra pra dedicar-se a produzir sua obra poética e outros pensares?

 

MS -  nem sei como consigo fazer tantas coisas e no meio de tudo ainda responder questões de uma entrevista... heheheh.... Bem, Jiddu, eu creio que amo o que faço e trabalho poeticamente. Minha área de atuação é na estética, ou filosofia da arte e do ambiente, o que casa os enredos, permitindo que a paixão não seja isolada do compromisso e possibilitando que a gente consiga poetar até no trabalho...

 

Luce Irigarai - nome inspirado na grande filósofa feminista

 

Hgs – Falando de “outros gatos” - os teus alunos -  Certamente, como alguém que ama o que faz você deve construir um ótimo relacionamento com teus alunos, você se sente recompensada? Como é ser professora acadêmica na era do pós-tudo?

 

MS - um gigante desafio, porque a academia é muito tradicional ainda, engessada em seus princípios e pousando ser a dona da verdade. O grande desafio é atuar dentro dela, comendo as neuroses pela beira e tendo a coragem de transformá-la. O projeto de humanizar o conhecimento talvez seja o segredo do bom relacionamento com os estudantes, desde que abro diálogos sensíveis e os acolho como aliados desta luta, ao invés de infernizar a vida deles por meio do controle de notas ou hierarquias do poder. É muito gratificante ter bons estudantes, dialogar com eles e poder ensinar e aprender na dialética do conhecimento.

 

meu gato cinza

fingiu que cai

só pra rimar meu haikai

 

(Michèle Sato)

 

Hgs -  Michèle, você é filha de pais nascidos no Japão, escreve haicais, é brasileiríssima, gostaria que você contasse para nossos leitores, como é, carregar na alma forças culturais tão distintas.

 

MS -  Sou uma brasileira que luta pela construção deste país, que morou muito tempo fora do Brasil e tive herança zen budista em função de meus pais japoneses, ambos importados. Deles, creio que a disciplina é uma marca cultural muito forte em minha vida, principalmente o exercício de agradecer.  Mas diferentemente da maioria dos descendentes nissei, eu sou muito falante, despojada, adoro brincadeiras e socialmente muito divertida. É um perfil brasileiro, mas que contagiou meu pai e que me influenciou muito, porque ele foi um grande herói na minha vida. Para ele, o melhor lugar do mundo chamava-se Brasil. Concordo com ele, e por isso, canalizo o seu legado japonês à construção da cidadania brasileira.

 

 Kit - "devorador" de vestidos

  

 

Hgs – Como foi que você começou a escrever haicais?

 

MS -  por intermédio de uma pessoa genial, a quem tenho gigante admiração. Ele foi um mestre [e continua sendo], e me ensinou as primeiras dicas para se escrever haikai. Achei difícil no começo, mas depois o grande mestre já via sua discípula exercendo a atividade... o nome dele? JIDDU SALDANHA!

 

Hgs – Saindo um pouco do haicai, quem são os poetas que incendeiam o coração e tocam tua alma?

 

MS -  adoro a literatura surrealista, e por isso, sou movida pelas palavras eróticas ou desconexas, pela gramática inventada ou daquelas expressões que enlouquecem os verbos. Adoro Manoel de Barros! Mas também gosto de Orides Fontela, Floriano Martins e Oswald de Andrade, entre outros bons nomes brasileiros. Adoro os internacionais, Charles Baudelaire, Paul Valèry, Arthur Rimbaud ou Octavio Paz, entre muitos outros. Mas quero homenagear o Jiddu hoje, com 3 poemetos curtos, sob a poética maneira de dizer: obrigada pela entrevista, querido amigo!

 

clique na figura para entrar no blog de Michèle Sato

 

entrevistada por Jiddu Saldanha - jidduks@uol.com.br  22 - 26483763    21 - 92485170



Escrito por jidduks às 16h29
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