ENTREVISTA COM CHRIS HERRMANN

Nasci e cresci no Rio de Janeiro. Estudei Literatura na UFRJ, Música (Piano e Teoria Musical) no CBM e, parcialmente, Teologia e Filosofia na FACEN. Fiz outros cursos de Marketing e Administração Básica. Trabalhei muitos anos no Rio como Secretária Executiva Bilíngue e Tradutora. Mas, desde cedo, foi a música e a poesia que me fizeram viajar, olhar, ouvir, aprender, sentir e aprender a sentir. Com certeza, uma experiência para a vida toda. Deixei o Brasil em 1996 e, desde então, vivo na Alemanha com minha família. Tenho dois filhos lindos e saudáveis que são minha fonte inesgotável de inspiração. Venho trabalhando com traduções e Web-Design desde que cheguei por aqui e me dedico à Literatura com paixão. Escrevo para a coluna "Orkultural” de Blocos Online, criei e mantenho comunidades virtuais com teor cultural, participo de movimentos poéticos, organizei antologias de poesia em parceria com o Congresso Brasileiro de Poesia em 2006 e 2007 e tenho trabalhos meus publicados no Brasil, EUA e Espanha. Silencia o Ipê a alegoria das cores plumando a paisagem. HAIGATOS - Todo mundo tem uma história com gatos, gostando ou não. Qual é a sua história? CHRIS HERRMANN - Eu tive muitos gatos (quase tantos quanto irmãos, rsrs) quando era criança. Os dois últimos, Robin e Tommy eram siameses. Lindos e peraltas, como devem ser os gatos! Mas a história inesquecível foi com o Robin, quando fui levá-lo à primeira vez ao veterinário. Eu achei que seria muito simples porque dava para ir á pé (imagine!) e levei-o „no colo“ mesmo, porque ele era sempre tão bonziiiinho comigo... eu quase morri de nervoso naquele dia!! Passei a maior parte do tempo a caminho da clínica procurando o Robin que escapolia das minhas mãos. Os vizinhos se dividiam entre rir e me ajudar a procurá-lo. Gato no espelho: seu verdadeiro eu-felino está de qual lado? Os olhos do gato hipnotizam a paisagem até desbotá-la. Enamoragato - destilado enluarado - céu embriagata. Vem a gatania soprando miados dóceis : felina anarquia. HG – Aqui no haigatos, amamos os cães também, pensamos e fazer um blog só pra eles, mas enquanto o blog não chega. Conte pra nós alguma história sua com cachorros.

Gravura de Manoela Afonso CH - Eu fui "mãe" do Peter. Um pequinês branquinho, número zero, com um olho azul e outro preto. Aliás, minhas irmãs também se achavam mães. Meu filho não tinha tias, coitadinho... o Peter era muito querido e amado por todos da família e amigos, e chamava muito atenção quando o levávamos para passear. Podiam dizer que era „cachorrinho de madame” que não nos atingia. Éramos crianças e crianças não têm preconceito. Curti muito esse cãozinho. Foram muitas histórias engraçadas, mas a mais marcante com ele foi triste, porque ele foi passar uma temporada na casa de uma tia nossa e desapareceu. Fiquei muito, muito triste na época. Porém, como as perdas também nos ensinam muito, compreendi que aquele amor puro e inocente duraria para sempre, mesmo que não pudesse mais vê-lo nem tocá-lo.
HG – O que mais te inspira a escrever haicais? CH - Tudo ao meu redor pode me inspirar. Porém, acredito que crianças, seguidos de animais e plantas me inspiram com mais frequência. São vidas que carregam em sua simplicidade uma beleza exuberante. O haicai abaixo sobre o coquinho, por exemplo, lembra uma brincadeira de criança que traz consigo um aprendizado para ela própria e para quem a observa. O coquinho cai. Cai sorrindo ao chão duro e haicai maduro.
Hg – Falando de “outros gatos” – você tem filhos e os ama muito - eles servem de inspiração para seus haicais? Em que medida? CH - Meus filhos me inspiram muito a escrever poemas. E, mais ainda, haicais. A explicação está na própria essência do haicai que nasce da magia do momento e as crianças são mestras em nos passar isso com doçura e generosidade. E, por isso mesmo, elas são minha maior fonte de inspiração e aprendizado. A criança dança, rodopiando a lembrança à margem do tempo.

Hg - Como tem sido sua experiência de vida na Alemanha, trabalho, amigos, poesia, família...
CH - Como toda experiência proveitosa, ela tem vários lados. Nem tudo são flores quando estamos fora do nosso país. Nem tudo é glamour. Passei fases duras de adaptação depois que cheguei aqui, desde o clima até os costumes dessa gente tão diferente da nossa. As saudades do Brasil apertam o peito. Mas o tempo, como sempre, é um excelente aliado para nos trazer força, respostas, além de ajudar a mudar nossos olhares. A poesia também tem sido imprescindível na minha vida, desde então. Conheci pessoas muito especiais na Alemanha, fiz maravilhosas amizades. tanto de brasileiros como de alemães. Trabalhei muito no meu home-office com traduções e continuo trabalhando com web-design e design gráfico pela facilidade, em primeiro lugar, de poder cuidar da casa e de meus filhos. Depois, pela própria dificuldade de disputar o mercado de trabalho com os alemães. Ainda assim, tive umas poucas e interessantes experiências trabalhando fora. A última, foi ano passado para uma empresa holandesa aqui na minha cidade. Com meus filhos, só tenho tido alegrias. Minha filha parece uma alemãzinha e o meu filho mais novo, um carioca. Eles são muito carinhosos. No amor, tive desencontros e, há cerca de 1 ano e pouco, encontrei alguém que está me mostrando que o amor não é apenas uma ilusão ou uma palavra batida, mas algo possível e real.
Hg – Quem são os autores de haicais que você gosta de ler? CH - Há muitos que me chamam à atenção e me emocionam, sejam pela doçura ou irreverência. Cito alguns que costumo ler com mais frequência (em ordem alfabética): Ademir Antonio Bacca, Alice Ruiz, Andréa Motta, Aníbal Beça, Basho, Jiddu Saldanha, Leila Míccolis, Michèle Sato , Paulo Franchetti, Paulo Leminski e Solange Firmino.
Hg – Fale um pouco do seu novo livro. CH - “Voos de Borboleta“ é minha primeira coletânea de haicais que está a caminho da publicação. São 178 haicais em português, porém com um capítulo inteiro em alemão (seguido de versão em português) e uns poucos em esperanto, italiano e inglês. Já foi entregue à editora. Mas só divulgarei quando estiver pronto para a venda. Posso adiantar que ele é dividido por temas (tem até haigatos!) e cada tema se distingue por um „tipo“ ou „caminho“ de voo da borboleta. A revisão foi feita por Hugo Pontes. O prefácio é da Leila Míccolis. Há comentários de Hugo Pontes, Antonio Mariano Lima, Edith Janete Schaefer e Pedro Lyra. A farfalha azul toca no céu do seu ser : Borboleta blues 
Clique na imagem para navegar no site de Chris Herrmann Entrevistada por Jiddu Saldanha - jidduks@uol.com.br www.jiddusaldanha.com
Escrito por jidduks às 12h48
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