Hg - Desde que você começou a escrever haicais, tua poesia como um todo passou por algum tipo de mudança? AM - Minha poesia sempre foi concisa, nunca consegui escrever Odes, na verdade nem tentei! Não gosto de poemas longos. Sempre escrevi sobre a natureza, esta em si e o ser humano nela inserido. Meu primeiro contato com a poesia minimalista foi com Leminski, depois veio Poetrix, que conheci por intermédio do Ricardo Mainieri e Paulo Camelo, escrevi diversos. Porém só bem mais tarde efetivamente me interessei pelo Haicai, quando percebi que esta poesia que nasce diretamente da experiência do poeta, através da observação da natureza e da vida diária, me emocionava. Gostei tanto que todo meu trabalho foi influenciado, passando a minha poesia a ficar mais enxuta. HG - Que haicaistas você recomenda para os leitores de Haigatos? Fale um pouco sobre eles. AM - Costumo ler Mattsuô Bashô, Teruko Oda, Nenpuku Sato, Paulo Franquetti, Débora Novaes de Castro, Tchello D’Barros, Lena jesus Ponte e claro os meus conterrâneos Helena Kolody, Paulo Leminski, Marília Kubota, Antonio Augisto de Assis, Raul Pugh, Sérgio Pichorim e José Marins ( foi quem ensinou-me e incentivou a dar meus primeiros passos no Hacai). Creio piamente que todos estes autores devem ser lidos e conhecidos por todos. O melhor, não existe, tudo depende da forma como se observa o cristal. Hg - Além de escrever Haigatos que outros temas te inspiraram a produzir Haicais? AM - Preponderantemente a natureza: flora/fauna, mas também o clima e o homem – suas alegrias e/ou tragédias. Borboleta azul voa entre as quedas do Iguaçu, Por um breve instante. Quando o dia desponta coberto por densa geada pia no ninho o pardal. No outono anoitece em tons róseo azul-lilás. Geada branda a vista. No Ano Brasil-França nada para se comemorar tragédia no ar! Hg - Conte um pouco da tua experiência com o Congresso Brasileiro de Poesia. AM - Para mim foi um divisor de águas. Até a minha primeira participação no Congresso, não obstante tivesse feito parte de diversas Antologias Poéticas e tivesse diversas publicações na internet, quer em blogs, quer através de Grupos de Discussões, eu não via meu trabalho como produção poética. Foi a partir do Congresso Brasileiro de Poesia que passei a acreditar no meu trabalho literário. retornei no ano seguinte e nos que se seguiram, isto se deu indiscutivelmente em face a magnitude do evento. o contato direto com a comunidade e com o movimento literário e poético nacional e internacional, através dos projetos, Poetas nas Escolas, Poesia na Vidraça, dentre outros em dias de intensa celebração cultural, é muito mais do que um espetáculo, é vivência, troca de experiências, crescimento espiritual, pessoal e intelectual. Na Serra gaúcha escuta feliz o Poeta. A criança traquina Em Bento Gonçalves, todos os anos em outubro Poesia, decora a vidraça. 
Gato-maracajá, espécie em extinção. Hg - Como você vê hoje a presença da web na vida dos escritores? AM - Acho que na web encontramos escrivinhadores e escritores que estão mais perto do que nunca das pessoas que querem ler. Portanto para todos escritores, escrivinhadores e leitores a internet tornou-se um novo e surpreendente espaço literário, um importante instrumento de interatividade do autor com seu público. É a grande oportunidade poara os novos escritores, sem espaço na mídia e editoras, pois não resta dúvida de que a web é importante instrumento de divulgação e, repita-se de interatividade. A internet é o grande laboratório da atualidade onde os feedbacks vêm na hora (não é necessário aguardar o leitor se convencer a procurar o livro, adquiri-lo, ler inteiro, para só depois, gostar ou não. E o autor ter ou não algum tipo de retorno). É sem dúvida, uma alternativa à mídia estabelecida. gato maracajá, espécie em extinção. para conhecer o blog de Andréa Motta (clique aqui) entrevistada por Jiddu Saldanha www.jiddusaldanha.com
Escrito por jidduks às 14h40
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