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HAIGATOS


Andréa Motta - Curitiba /PR

A Curitibana Andréa Motta é uma conhecida de todos nós, que amamos o haicai. Seu trabalho já bem consolidado vem cada vez mais marcando presença no cenário da poesia brasileira, vamos conhece-la melhor em sua entrevista para o HAIGATOS.

 

 

Haigatos - Que história você tem para nos contar sobre gatos?

Andréa Motta: A bem da verdade, não gosto muito de gatos domésticos, prefiro felinos selvagens de médio e grande porte, tais como: gato maracajá ( na lista dos animais em extinção), onça pintada e panteras.

 

Miado forte ecoa.

Um gato maracajá

do caçador foge.

 

Um gato selvagem

nascido no cativeiro.

Raça preservada.

 

 

Apesar disto tenho algumas histórias com gatinhos de estimação, em especial com uma gata preta, muito feiosa: magrela, bem velhinha e praticamente cega, chamada “pretinha”. Nos idos dos anos 80 ainda bem jovem e rebelde, resolvi morar e trabalhar no Rio de Janeiro. Trabalhava muito, ganhava pouco e residia num pensionato. Pois bem, a dona do pensionato também era a dona da gatinha. Quando lá cheguei, logo fui avisando: Sou alérgica a pelo de gato e por isto me manterei a distância da gata. Mas, o amor é incontrolável e a “pretinha”, não se importou com o meu distanciamento, tampouco com a minha alergia! A cada dia ficava mais dengosa, espreitava todos meus movimentos e sempre que podia se entrelaçava em minhas pernas. Nos finais de tarde quando eu apontava na esquina ( o edifício ficava no meio da quadra) começava a miadeira e todos sabiam que eu já estava na Portaria, pois a gata ficava literalmente histérica! Atirava seu corpo frágil na porta, arranhava a tudo e a todos até que a porte fosse aberta e ela pudesse esperar por mim, sentada à frente da porta do elevador, quando eu finalmente chegava no andar ela fazia a maior festa! Resultado acabei me apaixonando pela gatinha... Então pretinha passou a dormir no meu quarto, sua cesta foi colocada perto da porta ( ou ela ficava lá comigo ou não deixava ninguém dormir, tamanha era a miadeira..). Pois bem, uma noite graças a ela quase sofri um enfarto (isto é exagero é claro!), imagine que a danada esperava eu dormir e se aninhava sobre as minhas costas. No meio daquela noite acordei sentindo um peso enorme sobre meu corpo e me mexi, então vi um vulto negro enorme saltando em direção a porta. Eu gritei, a gata miou!! Todos no apartamento acordaram e correram para meu quarto..., depois do susto demos boas gargalhadas!. Enfim pretinha e eu ficamos amigas, convivemos por quase um ano, quando mudei para o nordeste. Foi difícil parir e deixá-la, té hoje sinto saudades daquela gatinha amável e dengosa.

 

Noite de inverno,

um vulto acorda a menina.

Gatinha em vigília.

 



Escrito por jidduks às 14h48
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Hg - Desde que você começou a escrever haicais, tua poesia como um todo passou por algum tipo de mudança?

AM - Minha poesia sempre foi concisa, nunca consegui escrever Odes, na verdade nem tentei! Não gosto de poemas longos. Sempre escrevi sobre a natureza, esta em si e o ser humano nela inserido.

Meu primeiro contato com a poesia minimalista foi com Leminski, depois veio Poetrix, que conheci por intermédio do Ricardo Mainieri e Paulo Camelo, escrevi diversos. Porém só bem mais tarde efetivamente me interessei pelo Haicai, quando percebi que esta poesia que nasce diretamente da experiência do poeta, através da observação da natureza e da vida diária, me emocionava. Gostei tanto que todo meu trabalho foi influenciado, passando a minha poesia a ficar mais enxuta.

 

HG - Que haicaistas você recomenda para os leitores de Haigatos? Fale um pouco sobre eles.

AM - Costumo ler Mattsuô Bashô, Teruko Oda, Nenpuku Sato, Paulo Franquetti, Débora Novaes de Castro, Tchello D’Barros, Lena jesus Ponte e claro os meus conterrâneos Helena Kolody, Paulo Leminski, Marília Kubota, Antonio Augisto de Assis, Raul Pugh, Sérgio Pichorim e  José Marins ( foi quem ensinou-me e incentivou a dar meus primeiros passos no Hacai). Creio piamente que todos estes autores devem ser lidos e conhecidos por todos. O melhor, não existe, tudo depende da forma como se observa o cristal.

 

Hg - Além de escrever Haigatos que outros temas te inspiraram a produzir Haicais?

AM - Preponderantemente a natureza: flora/fauna, mas também o clima e o homem – suas alegrias e/ou tragédias.

 

Borboleta azul voa

entre as quedas do Iguaçu,

Por um breve instante.

 

Quando o dia desponta

coberto por densa geada

pia no ninho o pardal.

 

No outono anoitece

em tons róseo azul-lilás.

Geada branda a vista.

 

No Ano Brasil-França

nada para se comemorar

tragédia no ar!

 

 

Hg - Conte um pouco da tua experiência com o Congresso Brasileiro de Poesia.

AM - Para mim foi um divisor de águas. Até a minha primeira participação no Congresso, não obstante tivesse feito parte de diversas Antologias Poéticas e tivesse diversas publicações na internet, quer em blogs, quer através de Grupos de Discussões, eu não via meu trabalho como produção poética. Foi a partir do Congresso Brasileiro de Poesia que passei a acreditar no meu trabalho literário. retornei no ano seguinte e nos que se seguiram, isto se deu indiscutivelmente em face a magnitude do evento. o contato direto com a comunidade e com o movimento literário e poético nacional e internacional, através dos projetos, Poetas nas Escolas, Poesia na Vidraça, dentre outros em dias de intensa celebração cultural, é muito mais do que um espetáculo, é vivência, troca de experiências, crescimento espiritual, pessoal e intelectual.

 

Na Serra gaúcha

escuta feliz o Poeta.

A criança traquina

 

Em Bento Gonçalves,

todos os anos em outubro

Poesia, decora a vidraça.

 

Gato-maracajá, espécie em extinção.

 

Hg - Como você vê hoje a presença da web na vida dos escritores?

AM - Acho que na web encontramos escrivinhadores e escritores que estão mais perto do que nunca das pessoas que querem ler. Portanto para todos escritores, escrivinhadores e leitores a  internet tornou-se um novo e surpreendente espaço literário, um importante instrumento de interatividade do autor com seu público.

É a grande oportunidade poara os novos escritores, sem espaço na mídia e editoras, pois não resta dúvida de que a web é importante instrumento de  divulgação e, repita-se de interatividade.  A internet é o grande laboratório da atualidade onde os feedbacks vêm na hora (não é necessário aguardar o leitor se convencer a procurar o livro, adquiri-lo, ler inteiro, para só depois, gostar ou não. E o autor ter ou não algum tipo de retorno). É sem dúvida, uma alternativa à mídia estabelecida. 

gato maracajá, espécie em extinção.

para conhecer o blog de Andréa Motta (clique aqui)

entrevistada por Jiddu Saldanha www.jiddusaldanha.com



Escrito por jidduks às 14h40
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